Da mesma
série “leia o rótulo”vamos falar dos sucos de caixinha, cada vez mais freqüentes
na mesa dos brasileiros, na rotina das crianças e nas suas lancheiras.
"Beba
sem moderação"; "é fruta de verdade". Com frases desse tipo, os
fabricantes de bebidas à base de frutas aliam seus produtos à ideia de que são
saudáveis e, ao mesmo tempo, práticos: é só abrir a caixinha e beber. A
sugestão parece ter dado certo, pois a oferta desses alimentos não para de
crescer: segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes
e de Bebidas Não Alcoólicas (Abir), em 2012 a produção de sucos e néctares (o
nome oficial das bebidas que, informalmente, chamamos de "suco de
caixinha") chegou a 987 milhões de litros e cresce 10% ao ano.
Segundo uma pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de
Defesa do Consumidor (Idec) com 12 bebidas à
base de fruta, vendidas em caixinhas tetrapak ou garrafinhas de plástico em
supermercados, elas contêm alto índice de açúcar, corantes e aromatizantes.
Na análise do Idec, o poder da publicidade e do marketing é tão grande que uma
simples embalagem pode nos levar a crer que determinada bebida é tão saudável
quanto a fruta in natura que originou o produto. Mas apenas o
consumo de frutas pode proporcionar o aproveitamento total dos nutrientes.
As bebidas industrializadas tendem a conter altos teores de açúcar. É o
caso dos néctares, que, segundo a legislação, devem respeitar um limite de
adição de sacarose. Apesar de práticos, porque são vendidos em embalagens de um
litro, os néctares são diluições açucaradas de sucos concentrados. Chegam
a ter cerca de 20 gramas de açúcar por porção de 200 ml, o equivalente a duas
colheres de sopa cheias.
Outro detalhe importante é que um dos corantes contidos nas bebidas. A
tartrazina, pode causar reações alérgicas. Por decisão da Justiça Federal, a Anvisa deve editar uma
norma obrigando que seja mencionado, com destaque na embalagem do produto, os
efeitos adervos.
Adição de açúcar: segundo o Decreto nº 6.871/09, determina que a palavra
"adoçado" seja acrescentada no rótulo principal do produto, junto ao
seu nome. O mesmo deve ocorrer quando o adoçante usado for artificial. Do total de carboidratos descritos, deve estar estipulado quanto provém da própria fruta e quanto foi adicionado.
Para o Idec, a presença dessa informação em local visível ajuda o
consumidor na hora da escolha. Segundo a consultora técnica, vale conferir se
os açúcares adicionados estão discriminados na tabela de nutrientes, para
avaliar qualidade nutricional do produto.
Sempre compare antes de comprar...
Novo Decreto: Suco, néctar e refresco
A partir de julho de 2014
a indústria deverá informar no painel principal do rótulo das bebidas não
alcoólicas o percentual de polpa da fruta ou suco utilizado nos ingredientes. A
regra foi determinada pelas Instruções Normativas nº 17, 18, 19 e 42 publicadas
em 2013 pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Uma das principais diferenças entre as bebidas à base de frutas é o teor mínimo de polpa de fruta (isto é, da fruta em si) que cada uma precisa ter. O suco é o que tem a maior concentração. Em seguida vem o néctar e, por último, o refresco (também chamado de bebida de fruta). Mas esses percentuais mínimos variam caso a caso. Na verdade, para ser chamada de "suco", a bebida deve ser composta praticamente só de fruta (e de água, em alguns casos) e não pode conter substâncias "estranhas"; já o néctar, além de apresentar só uma parcela de fruta, ainda contém açúcar e aditivos químicos, como corantes e antioxidantes. Essa confusão [entre néctar e suco] é reforçada pelo uso ostensivo de imagens de frutas nas embalagens dos néctares, passando a falsa impressão de que a bebida é natural.
A partir de 2015 haverá
aumento do percentual mínimo obrigatório de suco ou polpa para os néctares de
laranja e uva, que será feito de forma gradual partindo-se dos atuais 30% para
40% em janeiro e finalmente 50% em janeiro de 2016”, explica Vicenzi.
É relativo dizer se um produto é ou não saudável, tudo depende de como será o seu consumo.
Se for beber litros por dia, a única opção que salva é a água. Nada além dela, nem mesmo os sucos integrais.
Isso porque, neles existe a presença do açúcar natural da fruta, a frutose, cujo excesso engorda. Sucos integrais e néctares têm um teor muito parecido de açúcar. Em ambos varia em 30g por copo de 200ml. Um não é mais saudável que o outro. A diferença que o néctar tem menor concentração de nutrientes, pois é diluído.O ideal para a saúde é que o consumo dessas bebidas seja moderado e nunca substitua a água.
Uma perda importante das bebidas prontas para as que fazemos em casa, é que elas perdem as fibras insolúveis - os pedacinhos das frutas - que são benéficas para o intestino (o mesmo acontece se coarmos o suco). Os produtos que agora vem com esses pedacinhos têm fibra solúvel - que aumenta a saciedade.
Mas para aproveitar o máximo valor nutricional das frutas, consumi-las inteiras é a melhor opção. Então, não dê exclusividade a versão líquida.








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